Engenharia civil busca retomar papel estratégico no país

Brasília, 19 de fevereiro de 2026.

“Como coordenador nacional das Câmaras Especializadas de Engenharia Civil, a atuação está totalmente alinhada às diretrizes da gestão do Confea, que tem deixado claro que a engenharia precisa voltar a ocupar o lugar estratégico que sempre teve no desenvolvimento do Brasil”, afirma o eng. civ. e de seg. trab. Luiz Henrique Carvalho (Crea-MS). Ele foi eleito durante o 15º Encontro de Líderes do Sistema Confea/Crea ao lado da eng. civ. e de seg. trab. Ana Paula de Sá (Crea-MG), que considera o cargo uma “oportunidade para participar de discussões estratégicas e colaborar em decisões que impactam diretamente o exercício profissional, a valorização da categoria e o desenvolvimento da sociedade”.

Coordenador nacional titular Luiz Henrique Carvalho e adjunta Ana Paula de Sá

Em entrevista ao site do Confea, o coordenador titular apresenta propostas e ações que serão desenvolvidas pela Coordenadoria de Câmaras Especializadas de Engenharia Civil (CCEEC) ao longo do ano com foco no interesse público, na segurança da sociedade e na valorização do exercício profissional. “Direcionamos nossos esforços para áreas decisivas como habitação saneamento, mobilidade urbana, infraestrutura e segurança estrutural, atuando de forma preventiva, técnica e responsável”, adianta.

Graduado em engenharia civil pela Universidade do Oeste Paulista, Luiz Henrique Carvalho possui mestrado em engenharia mecânica, na área de materiais para engenharia. Conta com especialização em engenharia de segurança do trabalho e em fluxos e processos de ferramentas em BIM, além de formação como gestor ambiental. Atua como professor em cursos de graduação e pós-graduação. Tem experiência na área de engenharia civil, com ênfase em cálculo estrutural, atuando principalmente nos seguintes temas: segurança do trabalho, resistência dos materiais, estruturas em aço e madeira, estruturas de concreto armado, execução de obras de médio e grande porte, em empreendimentos públicos e privados, além de projetos e execução de obras de arte, sistemas de armazenagem, pavimentação e drenagem. Carvalho foi inspetor do Crea-MS em Dourados de 2018 a 2022. É conselheiro regional nos triênios 2023-2025 e 2026-2028, membro da Comissão de Educação e Atribuição Profissional (Ceap) desde 2023, diretor administrativo do Crea-MS em 2024 e coordenador da Câmara de Engenharia Civil e Agrimensura em 2025 e 2026.


Confea – Quais foram os pontos principais discutidos pela coordenadoria ao longo do 15º Encontro de Líderes do Sistema Confea/Crea? 
Eng. civ. Luiz Henrique Carvalho – No 15º Encontro de Líderes do Sistema, nós discutimos de forma muito objetiva o fortalecimento da fiscalização com foco no interesse público, na segurança da sociedade e na valorização do exercício profissional. Falamos de integração nacional, padronização de procedimentos, uso de inteligência de dados e principalmente do combate efetivo ao exercício ilegal da profissão que ainda causa muitos prejuízos à população brasileira.

Confea – A entrega de ações de fiscalização de alto valor e relevância, em âmbito nacional, é um propósito permanente do Sistema Confea/Crea. De que forma a coordenadoria pretende atuar para qualificar esses processos, incorporando novas tecnologias e soluções inovadoras à fiscalização? 
Eng. civ. Luiz Henrique Carvalho – A fiscalização que nós defendemos não é apenas quantitativa, mas qualificada, estratégica e baseada em risco. A coordenadoria trabalha para potencializar esses processos por meio da incorporação responsável de tecnologias como BIM (Building Information Modelling), georreferenciamento, cruzamento de base de dados e outras soluções digitais, sempre com um princípio muito claro: a tecnologia é ferramenta, ela não substitui o critério técnico, a experiência profissional e o rigor normativo da engenharia.


Confea – A atual gestão do Confea tem incentivado a engenharia brasileira a se aproximar da realidade social do país, identificando nesse diálogo um caminho para aprimorar a infraestrutura nacional. De que forma a coordenadoria pretende atuar para contribuir efetivamente na mitigação dos problemas que afetam a população brasileira? 
Eng. civ. Luiz Henrique Carvalho – Outro ponto central da nossa atuação é a aproximação da engenharia civil com a realidade social do nosso país. A atual gestão do Confea tem sido muito clara ao afirmar que não existe desenvolvimento sem engenharia e não existe engenharia forte desconectada das necessidades da população. Por isso, direcionamos nossos esforços para áreas decisivas como habitação saneamento, mobilidade urbana, infraestrutura e segurança estrutural, atuando de forma preventiva, técnica e responsável.

Reunião durante o 15º Encontro de Líderes, em Brasília, em janeiro

Confea – Outro eixo prioritário do Confea tem sido a reconexão com os jovens estudantes, diante da queda acentuada do interesse pela engenharia. Na sua avaliação, que estratégias são essenciais para enfrentar esse cenário preocupante, que pode colocar em risco a execução de programas estratégicos para o Brasil? 
Eng. civ. Luiz Henrique Carvalho – Também entendemos que a queda no interesse dos jovens pela engenharia é um alerta sério. Se não enfrentarmos esse cenário agora, corremos o risco de comprometer programas estratégicos para o futuro do Brasil. A coordenadoria defende uma reconexão real com os estudantes e jovens profissionais, mostrando a engenharia como ela é de verdade, prática, transformadora com impacto direto na vida das pessoas. Valorizamos a tradição da profissão, o conhecimento técnico sólido e a responsabilidade que sempre fizeram parte da engenharia brasileira, sem abrir mão da inovação e da linguagem do nosso tempo.
 

Confea – Qual legado a coordenadoria pretende deixar para os profissionais e para o Sistema a partir do trabalho desenvolvido em 2026? 
Eng. civ. Luiz Henrique Carvalho – O legado que buscamos deixar é claro, queremos uma Coordenadoria de Câmaras Especializadas de Engenharia Civil mais forte, técnica, estratégica e conectada com o país real. Uma fiscalização respeitada, eficiente e orientada aos interesses públicos. Profissionais valorizados com atribuições bem defendidas e reconhecidos pela sociedade. Em nosso Sistema, nós precisamos de uma maior integração moderna e socialmente relevante. Engenharia civil não é improviso, não é discurso vazio e não é modismo. Engenharia civil é planejamento, é técnica, responsabilidade e compromisso com o futuro do Brasil. Tenha certeza que no fim da desse ano de 2026, a engenharia civil sairá do ostracismo para as luzes que trilharão o futuro do Brasil.
 

Julianna Curado
Equipe de Comunicação do Confea